um anúncio pouco ortodoxo a partir de sebald e panero

Atrevi-me, por fim, a ler «Austerlitz», de WG Sebald, e «Poemas», de JL Panero. Mantiveram-se ambos em recatado desarrumo, desde o Verão, à espera que eu me decidisse. A leitura não tem sido tão áspera quanto supunha. Apesar de muito provavelmente nada existir de comum entre ambos os livros, consigo reuni-los numa só gaveta de coisas/assuntos/escritas que se encontram intrinsecamente distantes do que costuma interessar-me à primeira vista. Nessa mesma gaveta, encontram-se igualmente a eito outros livros com descrições (para mim) demasiado extensas, discursos intimistas (que não o meu), filmes cuja acção decorra em cortes dos séculos 16 e 17, documentários sobre mecânica automóvel, caixas de primeiros socorros, debates televisivos sobre o que for, conversas em torno dos hábitos alimentares dos bebés, enfim, uma série de coisas, que não sendo propriamente detestáveis nem inúteis, contêm, à partida, pouco de cativante. Até por isso, pelo potencial desconhecido que carregam, a leitura destes dois livros tem valido a pena.