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o homem que não sabia gritar sacanas dêem-me um pouco de

O homem que não sabia gritar aquele verso de Cesariny comprou meia dúzia de poetas russos por € 70. Procurava palavras vitais e encontrou a cor do chumbo que escorria não dos poemas, mas das notas biográficas. Mal sabia ele:

Marina Tzvetaieva (1892-1941), suicídio; Nicolai Gumilyov (1886-1921), fuzilamento; Vladimir Maiakovski (1893-1930), suicídio; Sergei Yessinin (1895-1925), suicídio; Daniil Kharms (1905-1942), fome, numa prisão em Kursk; Ossip Mandelstam (1891-1938), inanição voluntária, num campo de trabalhos forçados na Sibéria; Benedikt Livshits (1886-1939), fuzilamento; Titsian Tabidze (1895-1937), fuzilamento; Yuri Yurkun (1895-1938), fuzilamento; Paolo Iashvili (1894-1937), suicídio.

Fosse do sabor do chumbo ou doutras azias privadas, sentindo a rara precisão de falar o homem que não sabia gritar aquele verso de Cesariny telefonou a um amigo que nascera com ele tatuado entre o coração e a garganta. Que estava tudo bem, lá conseguiu murmurar.

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