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Habermas (2)

Segundo Habermas, uma variedade de factores pode servir para explicar a eventual decadência da "esfera pública", de onde ressalta a crescente comercialização dos meios de comunicação que tem contribuído para a passividade dos consumidores.

À medida que as rotinas da política partidária e dos "grupos de interesse" reduzem a participação pública na vida democrática, a sociedade é governada de um modo cada vez mais distante das populações.

Em resultado disso, as fronteiras entre público e privado, indivíduo e sociedade, sistema e vida diária, têm-se deteriorado. A democracia, enquanto experiência colectiva, só se desenvolve quando as instituições permitem o debate público de matérias importantes.

Habermas tinha uma visão optimista acerca da possibilidade de renovação da «esfera pública». Tinha esperança num futuro em que a comunidade política transcenderia os estados-nação baseados em afinidades étnicas e culturais, constituindo uma outra assente em cidadãos com direitos e deveres iguais.

Esta teoria discursiva da comunicação requer uma comunidade que possa definir colectivamente a sua vontade política e implementá-la ao nível do poder legislativo. Esse sistema necessita de uma esfera pública activa, em que os assuntos de interesse comum e de natureza política possam ser discutidos e a força da opinião pública possa influenciar o processo de tomada de decisões.




[Comentário: Esquecendo o longo prazo, não sou tão optimista. Por enquanto, o modo como a informação ainda flui (com o predomínio do modelo televisivo, obviamente mais controlável, até pelos custos que envolve) tem contribuído para a dispersão da “esfera pública”, inibindo, em benefício dos poderes constituídos, a constituição de um quadro social suficientemente consistente, capaz de reordenar as diversas comunidades de um modo mais harmónico, para que a maior parte dos indivíduos sinta que vale a pena fazer parte de um esquema colectivo, de uma sociedade.]


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