flagrante de livro
Estamos, designadamente, perante o facto de o aparelho burguês de produção e publicação poder assimilar, e mesmo propagar, uma espantosa quantidade de temas revolucionários, sem pôr seriamente em causa a sua própria existência, ou a da sua classe de proprietários.
![]() | Depois disto, o que sobra,
para além desse telemóvel danado
que me apontas à socapa?
Diz-me, se souberes, o que faço aqui especado,
submerso no remoinho de quatro frases.
Não, esquece. Não digas.
Estende-me antes esse teu braço. |
Em última análise, a imobilidade confunde-se com aquilo a que poderíamos chamar uma sonolência vigilante, passível de se esfumar à primeira tentativa de (auto-)contacto: «mantenho-me imóvel, penso que gostaria de falar comigo mesmo em voz alta, mas tenho receio de me acordar» (O Medo, p. 226).
citações: «O Autor enquanto Produtor», Walter Benjamin (1934) + «Me, Myself And I - Autobiografia e imobilidade na poesia de Al Berto», Manuel de Freitas (2004)

Comments
Talvez por ser a primeira vez que vejo tal num blog, penso que é meio esquisito passar um poema no meio de linguagem ensaística. Mas confesso que gostei.
Posted by: VASCO | junho 16, 2009 07:16 PM
Pensar, numa secretária ou numa cama, já é agir. Tal como mostrar a poesia que existe nas imagens e em qualquer tipo de texto desde que pensemos e o coloquemos num contexto poético.
Só vale a pena não pensar se nos puxarem um braço e aí, como no «Íntima Fracção», é tudo para sentir.
Posted by: maria arvore | junho 16, 2009 08:36 PM
foram ambos muito gentis ao conseguir ver poesia numa foto com legendas. seja como for, com essa capacidade imaginativa conseguiram atenuar o tom algo deprimente e desgraçadamente real das citações.
Posted by: José Quintas | junho 17, 2009 12:43 AM