cidades (boris vian)
"Trata-se de preparar metodicamente os cemitérios da próxima guerra. Demasiado frequentemente são construídos em locais cujas qualidades intrínsecas se destinariam antes a sucessos agrícolas ou mineiros. [...] A minha ideia consiste, por um lado, em obrigar o governo a admitir o princípio da pré-fabricação dos cemitérios, os quais serão compostos por elementos padronizados: alguns tipos de lajes fúnebres, simples, mas mais elegantes do que essas enormes cruzes brancas, alguns modelos de monumentos aos mortos, económicos embora luxuosos; finalmente, alguns ornamentos ligeiros apesar do seu aspecto maciço, facilmente extensíveis.
Por outro lado, devemos habituar as famílias a subscrever antecipadamente um túmulo, à semelhança do que se faz com os seguros de vida. Como é evidente, escolheremos terrenos que dificilmente se prestariam a outros usos, na vizinhança de templos pouco frequentados – o que assegurará o apoio da Igreja, feliz com esse eventual aumento da actividade. É de primeiríssima importância que os serviços de propaganda sejam organizados com grande cuidado; organizaremos em grande as excursões preliminares - ninguém duvida que os soldados das guerras futuras vão ficar contentes quando virem o local onde mais tarde repousarão. […] E depois não é só isso; é que a expressão soa bem: Cemitérios Pré-fabricados, SA. Cheira a rendimento, cheira a indústria."