rapariga de calendário

[…] os calendários não contam o tempo como os relógios. São monumentos de uma consciência da História cujo menor traço parece ter desaparecido há cem anos. A revolução de Julho [de 1789] comportou ainda um incidente em que uma tal consciência pôde afirmar os seus direitos. Na tarde do primeiro dia de combate, verificou-se que em vários locais de Paris […] se tinha disparado contra os relógios murais. Uma testemunha ocular […] escreveu então: Quem acreditaria em tal? Dir-se-ia que, irritados contra a hora, novos Josués, ao pé de cada torre, atiravam sobre os quadrantes para parar o dia.
Walter Benjamin, excerto de «Sobre Arte, Técnica, Linguagem e Política»
(a rapariga do calendário republicano lá em cima corresponde ao mês «Prairial» que ia de 20 de Maio a 18 de Junho)