AUSKUNFT MACHT FREI ?
(tradução livre: continuando a malhar nesta sociedade da informação)
«Usa-se», dizem. Quarentonas há que dizem exactamente o mesmo para justificar um guarda-roupa digno da Floribela. Mas é verdade que se usa mesmo. Em blogues ianques, que eu tenha reparado, desde a Primavera de 2007. Por cá, talvez desde o Outono desse ano.
Não deixa de ser estranho, contudo, entrar num sítio, blog ou não, e ficar vesgo diante de informação a rodos, a 3-4 colunas, com frames e subframes, títulos de vários tamanhos e caracteres, labels, tags, widgets, botões a coruscar, implorando cliques para sítios que não interessam nem a José Eduardo Moniz - uma festa de que fujo como no passado os judeus e, mais recentemente, os iraquianos da Babilónia.
O problema não está na festa em si, creio, pois parece ser da natureza das coisas crescerem antes de diminuírem, e voltarem a crescer e a diminuir, e assim por diante, com alguns estoiros pelo meio.
O problema residirá precisamente no risco de, no entre tanto, estoirar a memória e, por tabela, a atenção. Experimente-se fazer uma busca por «information overload» (nunca nas páginas iniciais, p.f.), ou então aproveite-se aquela comparação recorrente dos cérebros com as CPU: a partir de certo ponto, quanto maior o volume de informação armazenado, menor a velocidade de processamento, menor a velocidade de reacção àquilo que realmente interessa a cada um ficar atento.
Não duvidaria ser essa uma das razões porque alguns magnatas dos media, prováveis promotores da informação por um canudo se tivessem vivido há 100 anos, se tornaram, nas últimas décadas, fanáticos defensores da massificação da dita.
Ilustrando o filme: «Já não se pode restringi-la? É feio e antidemocrático? Nenhum problema com isso. Inunda-se de monitores as casas, as escolas, os locais de trabalho, até as ruas; mistura-se meias-verdades e mentiras, verdades se preciso for; mete-se-lhes tudo, a toda a hora pelos olhos dentro, de tal modo que, de tão confusos, já nem sabem para onde se virar; desde que cada um fique mudo e quedo no seu canto e não pare de consumir…»
Espertos, sem dúvida. Souberam adaptar-se. Levá-los à letra quando falam de liberalização é ver neles seguidores de Bakunine. Fazer de conta que não existem implica aceitar o destino dos opositores de Lenine e Estaline; desta vez, num gulag construído à medida de cada um.