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commedia dello twitter (nuova puntata: «il silenzio»)


Seriam 15:30 da passada 5ª Feira. Terminava um arremedo de almoço num restaurantezeco da Praça dos Restauradores e eis que na mesa da frente se sentam um homem e uma mulher em absoluto silêncio. Reconheci apenas o homem. Não revelo o seu nome para não acentuar o tom algo paparazzo deste post. Adianto apenas alcunhas inventadas na hora: Inspector Gadget, Arauto do Último Grito, Tecnoprofeta dos Desertos Que Hão-de Vir.

Julgam, porventura, que chamou o empregado? Que murmurou alguma daquelas inanidades destinadas a que as mulheres não fiquem a pensar que somos zombies como a maioria dos homens: «este sol derrete-me as partes» ou «se continuares assim tão bonita, qualquer dia eu caio redondo» ou «não há vento lá fora...» ou «os fatos do Rui Costa não bastam para o Benfica ser campeão»?

Longe disso. Com aquele ar compenetrado de junkies na posse de heroína recém-adquirida, ambos alaparam os respectivos traseiros em frente um do outro e, sem trocarem um fonema sequer, desataram a dedilhar furiosamente nos seus iphones como se o mundo fosse acabar dentro de 5 minutos. Pior, como se para ambos já tivesse acabado.

Comments

As pessoas, o amor e outras coisas antiquadas são um desperdício de tempo. O último grito são as tecnologias e o politicamente aceite é nós próprios sermos gadjets...

O post não fica menos paparazzo por não revelares o nome...

tens razão, Vasco (têm ambos, Maria)

O que é que custa revelar?Assim, ficou um post à Octávio Machado:-)

Vasco, o post já tem pistas bastantes. Revelar o nome só iria pô-lo mais contentinho da silva. arriscava-me a ser confundido (e não quero mesmo) com os muitos que lhe cortam na casaca, alguns, quem sabe?, com razão, outros talvez com dor de cotovelo.
Trata-se de alguém que, nestes anos de blogues, evoluiu talvez da forma mais confrangedora. Foi a 1ª pessoa que me levou a lê-los. a própria palavra «blog», li-a pela 1ª vez através dele, numa coluna do Expresso sobre blogues iraquianos (pouco depois da invasão ianque). Julgo não haver quem mais tenha dinamizado a blogosfera portuguesa. Até tem, em termos gerais, uma visão da coisa política não muito distante da minha.

Não obstante tudo isso, com a passagem do tempo, começou a inventar moinhos de vento perfeitamente absurdos. Deu-lhe para embirrar com o intimismo em blogues, como se todos devêssemos imitar a aridez da maior parte dos jornalistas, como se a diversidade não importasse.

Depois, lembrou-se de defender uma espécie de ERC para a blogosfera, como a se a graça disto, e a razão para o seu crescimento, não estivesse exactamente na ausência de controlo, de institucionalização (um exemplo, p/não ir mais longe: acompanhei de perto as rádios-pirata e sei muito bem o que lhes aconteceu depois da “legalização”).

Não bastasse tudo isso, ultimamente fica-se com a impressão que até gostaria (?) que o Parlamento Europeu tivesse votado pela restrição da liberdade na internet.
Para mim, isto é mau demais e obscurece todo o voluntarismo e dinamismo que empresta aos seus projectos.

(ainda por cima, abrenúncio!, gosta de Yes e Barclay James Harvest... para isto sim, deveriam existir fortes restrições:)

Este texto, por razões só por si inexplicáveis, matou-me de riso.

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