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peixes, mapas e monstros

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Não me trancaram em nenhum sótão tendo eu treze anos, fui eu
quem trancou o mundo no exíguo espaço que resta fora desta divisão:
não aceito nada que não me caiba nos pulsos ou que já me circule no
sangue; o máximo que posso é forrar as paredes e o triunfo da solidão
com reproduções fac-similadas de um mapa desenhado em estalagem incerta
por um galego desencantado que no ano da graça de mil quinhentos e setenta
acrescentava porções de terra e mar consoante o estado do seu estômago
ou – fonte bem menos credível – relatos de marinheiros, elidia penínsulas
e arquipélagos para os substituir por extensas áreas azuis de corpos insepultos,
ou apagava civilizações inteiras para colocar a inscrição “terra incógnita”,
supremo gesto de humildade comparticipado por gravuras de monstros amorosos.
Um mundo redutível a meia dúzia de graças e um vago sentido de partida,
eis tudo quanto estou disposto a ceder.



«Et Pas De Comissions», António Ramos Pereira
(desenho de Pieter Bruegel)

Comments

Quem é o António Ramos Pereira?

não sei. li-o na revista criatura. gostei. nunca li nada parecido. publiquei

Este blogue é de rir. Faz alarde de poetas, músicos, só nomes obscuros a torto e a direito, e corta na casaca de nomes consagrados. Invejazita, é?

esta 6ª feira deve ser mesmo santa. até que enfim aparece alguém que não me grama. obrigado.

Invejazita, é?

caro anónimo, tudo indica que tirou a tarde para se coçar por estas bandas. nenhum problema com isso. também não estou a pensar ir a lado nenhum. se for sua intenção que eu responda aos comentários anteriores, talvez fosse melhor inventar um nick menos comum. não é por nada de especial. não é o meu nome que me faz menos anónimo. mas não custa nada inventar um. é só p/evitar confundi-lo com outro qualquer anónimo que possa aparecer no entretanto.

Serve João Carlos?

seja. João Carlos, não concordo mesmo nada que este blog seja "de rir", ou só de rir. talvez não seja visível desse lado, mas há um certo esforço para que o blog sirva também para choramingar, pular, espicaçar, ensimesmar, judiar, denunciar. o que for. até bocejar. já me teria cansado disto se tivesse encalhado num estado de espírito, numa atitude, num só discurso. quanto à invejazita, não estou a ver onde queres chegar.

Para já, agradecia que não me tratasse por tu. O anonimato requer distância. Inveja é o que se depreende quando se denigre nomes como Gastão Cruz (todos os que lhe atribuíram prémios estarão errados?) e se promove nomes completamente desconhecidos cujo valor está longe de ser demonstrado.

João Carlos, aquele «queres» saiu de forma inconcsiente. acredite se quiser: nunca me servi do tratamento por tu para respeitar ou deixar de respeitar fosse quem fosse. mas seja feita a sua vontade. não me custa tratá-lo por você. adiante. para quem não me conhece pessoalmente, a inveja da minha parte relativamente a autores consagrados seria uma possibilidade se tivesse ambicionado ser um autor, com obra publicada em papel, com críticas e prémios à mistura.

Ora, não conheço nenhum amigo de infância ou actual que possa jurar ter-me ouvido algum dia dizer «quero ser escritor» ou bombeiro ou presidente da república (bem, talvez astronauta… banal, sim). O que posso assegurar-lhe é que um blog serve todas as minhas ambições para ocupar o tempo livre. O papel nunca iria permitir combinar palavras, desenhos, música, vídeos, links num arranjo gráfico escolhido por mim.

é certo que o papel permite uma leitura (como dizê-lo?) mais absorvente. écerto que não há piores leitores do que bloggers (lêem quase tudo à pressa, na diagonal). mais certo ainda é que este blog não chega a um nº de desconhecidos que eu gostaria de atingir. paciência. precisaria ser “mediático” ou então portar-me como um cão que mija em todas esquinas, comentando em sítios mais populares para me dar a conhecer a mais gente. não há pachorra para isso.

Fico-lhe muito agradecido pela resposta, José. Balelas talvez, mas porquê privilegiar nomes desconhecidos em detrimento de autores reconhecidamente com maior valor?

caro João Carlos, vou fazer de conta que não li «balelas». isso, e o desrespeito subjacente, bastaria para sugerir que se dedicasse ao levantamento topográfico de plutão ou mais longe ainda. repare pf: nem acho que divulgue apenas desconhecidos. costumo visitar uma dúzia de sítios com um gosto mais apurado que o meu, que divulgam poetas e músicos e assuntos bem mais obscuros que aqueles que costumo fazer aparecer por aqui.

o que me leva a divulgá-los é excatamente o mesmo que me levou a dar-lhe a si, comentador anónimo, maior atenção do que a dispensada a amigos e conhecidos. já existem sítios bastantes que apontam os seus focos para personas do star system.
desde os 18-20 anos que sei como funciona o dito sistema em portugal: é difícil furar, mas uma vez lá, por feliz acaso, persistência ou amizades convenientes, 9 em 10 deitam-se na cama, produzindo mediocridades destinadas ao incenso de amigos e do vulgo.

o que me resta por natureza/opção/profissão?
«relying on the kindness of strangers» talvez conheça a expressão. obrigado pela sua, mas, às tantas, perdemos ambos o nosso tempo. espero que pelo menos tenha servido para ficar a conhecer as palavras (as do post) de alguém tão anónimo quanto você

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