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mais um post trabalhista com publicidade descarada aos iogurtes longa vida

Momentos há em que sinto falta de saber o que é feito desta gente cujas portas arrombei. Não é que passe por eles, pois não tenho aqui voz activa.

Antes passam por mim, despejam-me nos ouvidos fragmentos de vidas por um funil, e depois vão-se para sempre. A noção de perda seria menor se conseguisse imaginar-lhes um resto de vida mais airoso. Nisso, sou como todos os dependentes de ficção: para consolo, bastaria um simulacro de lógica, sequência, sentido. Mas não. Parece que não há nisto princípio nem meio nem fim. Só vidas em pedaços.

«É natural», dizemos também do iogurte branco, enquanto esbracejamos, fingindo nadar, tentando permanecer à tona do azedume.



(imagem desviada de um sítio qualquer que não vem ao caso)

Comments

Felizmente que a absorção de colheradas deste post dá sentido a muitas vidas. Até parece um coisa saborosa. E com as calorias certas que não é açucarado. :)

(Ou mais simplesmente, é incrível como das tragédias se pode fazer uma metáfora tão comestível)

Por isso, é que a maior parte das pessoas prefere os iogurtes batidos açucarados e sem pedaços; engolem-se de uma só vez e nem se sentem. Depois, há os outros, que apesar de tudo preferem sentir os frutos.

já que falamos de comida, nutro a forte suspeita certeza que não gosto de iogurte (sem saber se esta frase tem algum valor calórico metafórico)

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