e se, por mero capricho, a Sra. Agustina tuitasse, será que, ao menos ela, tuitaria palavras sábias, algo que valesse a pena ler?

experimente agora você também o privilégio de fazer parte de redes sociais de sucesso. converse. diga o que for a quem for. não importa o quê. ninguém quer saber o quê. socialize. inscreva-se num partido com «social» no nome. publique os seus sms' mais púbicos. escreva à laurinda alves. encomende pizzas. esqueça o prozac. há um mundo novo à sua espera. tuite com a sra agustina.
Comments
Senhora Agustina,
nunca lhe consigo igualar as palavras que chuto as frases sempre de forma bruta, assim mesmo sem ás nem pês, mas esta de meter-se tuite a dentro para deitar para fora a pobreza franciscana de um hi5 aureolado a ouro cuja inovação ainda não atingiu os píncaros de cada membro informar as horas e minutos de uso do vaso sanitário, é de mestre. :)))
Posted by: maria arvore | março 2, 2009 10:23 PM
Querida Maria, 364 caracteres?! é no que dá a liberdade. esmere-se, reprima palavras e ideias. tuite aqui, tuite ali, tuite à saint tropez
Posted by: José Quintas | março 2, 2009 11:39 PM
1)- Desmontei a árvore de Natal a semana passada. No vaso onde a havia fixado nasceu uma planta, que floriu anteontem.
2)- Ontem pedi à dona da padaria que frequento com mais regularidade se tinha pão oco. E rimo-nos.
3)- Consigo ter a percepção das estações: a variedade cromática vai para além do cinza e preto.
Foge daí enquanto podes, caralho.
Posted by: Luis | março 3, 2009 03:21 PM
não é fácil, Luís. há um monte de vantagens em viver num sítio mais pequeno, claro que há. A principal desvantagem? voltaria a trabalhar em horário fixo, entre 4 paredes (170 caracteres… que se lixe a contabilidade, Maria:), se bem que há momentos, Luís… na semana passada, ali entre Sta. Apolónia e Xabregas, deu-me para atalhar caminho através de um morro. Havia um carreiro. a meio dele, a vegetação impedia-me de ver os bairros sociais por trás; à frente, apenas a marginal, alguns navios no porto, o Tejo inteiro, a margem sul até à Arrábida, e um silêncio raro em Lisboa, o mesmo silêncio que me desesperava em terras pequenas. estava um sol agradável, ameno, deve ter ajudado. pela 1ª vez nos últimos anos, desejei viver num sítio com mais descampados por perto - já não há muitos por aqui. Estacionei uns minutos até me cansar de mim. pouco depois, estava em Alfama (devia estar com um sorriso idiota estampado nas ventas, pois umas velhas e a criançada meteram conversa comigo), sempre a pé até à Mouraria, distraído na Baixa, confortavelmente anónimo na multidão. Isto tem dias, Luís. num deles, sei que vou me fartar de Lisboa.
Posted by: José Quintas | março 3, 2009 08:46 PM
Tuite tuite como o ruído de um telefone desconectado porque o efeito é o mesmo?... Não fosse o plágio e roubaria ao comentador Luís a sua última frase para aplicar ao tuite tísico de ideias.
Posted by: maria arvore | março 3, 2009 08:48 PM
tal e qual, Maria, tuit-tuit, blip-blip, tinyurl, @@, e pouco mais. fui lá de vez em quando, aguentei dois pares de meses a ver se surgia algo que valesse a pena ser lido por alguém que não os intervenientes do diálogo. água fria. encontra-se uma entrada bem esgalhada a cada 100 ou mais, e fica-se sem saber porque raio alguns bloggers abrandaram a produção de posts, onde podiam articular ideias mais apelativas, desperdiçando tempo e palavras com banalidades de fugir. moda, mais uma? receio de perder o comboio infotecnoqualquercoisa? o que anda esta gente a beber para jurar que é viciante e não sei mais o quê? estou à espera que me digam. como todos, também preciso olhar para o vazio e vê-lo brilhar
Posted by: José Quintas | março 3, 2009 09:32 PM
O Twitter é mais ou menos isto: "How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb".
Posted by: pedro l. | março 4, 2009 01:44 AM
Bimbo, permanece em Lisboa mais uns anos. Esgotei a cota de parolos, na província.
Posted by: Luis | março 5, 2009 12:52 PM
boa definição, Pedro
Luís vás ou não vás, se ainda não te foste porque não te vais...?
Posted by: José Quintas | março 5, 2009 04:20 PM
Bom dia Sr. José. A mim parece-me que isso só é possível aos famosos; quer dizer, negar a própria acção que se comete. Uma espécie de irreverência aplaudida que os comuns não possuem.
Não o quero agoirar Sr. José, mas concerteza sabe que ver de fora não é o mesmo que ver de dentro (Ah, mesmo agora a Sra. Agustina já era, e ela tinha tantos bonequinhos de lado, que pena! Já vim tarde.) Eu também gostava, a sério, mas desde os meus 10 anos que ando a ver se percebo o Ulysses. Agora disseram-me que era melhor passar para um Wittgen-qualquer-coisa, parece que é assim uma espécie de Herbalife, que se engole e já está. Estou ansiosa por acabar. Talvez depois nos possamos encontrar no seu passarinho Sr. José.
Até lá, um beijinho.
Posted by: uma garota profunda | março 9, 2009 10:02 AM
Querida Garota Profunda, não fosse a ironia que perpassa (perpassar é bem) pelo seu comentário e atrever-me-ia a tratá-la por Mrs. Lovelace (uma sra. muito, hum, directa, o que fica mal, sei-o bem, mas eu vou sê-lo também).
Não entendi patavina do seu comentário. Tentando por partes:
3. qual o problema em negar a própria acção que se comete? desde quando é que uma só pessoa não pode ter 2-15-1500 pontos de vista diferentes e até contraditórios sobre seja o que for? fosse a realidade unidimensional e talvez ainda nos movessemos a 4 patas.
1. só os famosos é que podem fazê-lo? falta apurar se o 1º macaco que saltou das árvores para o solo era o chefe do bando ou um símio mais anónimo. desconfio deste último, pois os líderes costumam agarrar-se demasiado às (partes da) convenção. aprenda com a mãe-natureza: para dar uns saltos, esqueça a lingerie demasiado justa. deixe as partes à solta. vai ver que o mundo lhe parecerá um lugar mais confortável
4. ver de fora não é o mesmo que ver de dentro? pois não, mas também convém experimentar ver de lado, de cima, de baixo. há todo um kamasutra de perspectivas que não se resumem ao fora e dentro.
2. o twitter da Sra. Agustina já era? experimente o refresh. o pássaro ainda lá se encontra. este primata que se assina é que já deu de frosques (140 caracteres apertavam-lhe as virilhas da imaginação - pensamentos precoces só por opção, nunca por obrigação)
E volte sempre. um nick como o seu tem o condão de despertar em mim os sentimentos mais sublimes
Posted by: José Quintas | março 9, 2009 12:14 PM
Ah, Sr. José, como eu o gostaria, e que trabalho me tinha poupado nesta dura vida. Nem Linda, quanto mais o resto. Infelizmente a natureza forneceu-me com uns adenóides ligeiramente maiores do que os normais, inviabilizando-me toda uma carreira de sucesso.
Não lhe que querendo faltar ao respeito, até porque o sigo com muita reverência faz tempo, permita-me que concorde consigo enquanto aos pontos de vista. É sim verdade, que os podemos e devemos ter, até mesmo contraditórios, mas de preferência um de cada vez, separados no tempo e no espaço, a bem de não criar essa própria unidimensionalidade que refere.
Se o primeiro macaco que saltou foi anónimo? Claro que sim. Mas os restantes só o seguiram após o dominante o fazer. Ou não é disso mesmo que falava aqui? (Talvez seja necessário que eu insista um pouco mais na compreensão do Ulysses antes de passar para outra leitura. Não sei se chego para si, Sr. José.)
Quanto ao kamasutra (folgo em vê-lo tão sexuado hoje nas suas apreciações, será da aproximação à Primavera?), deixe-me contar-lhe uma breve história. Há muito tempo atrás, num outro livro que não me recordo, houve um homem que tentou desmistificar o valor dos curandeiros lá para os lados de África. Para isso, muniu-se do que ele chamou uma série de rituais sem sexo, e de algum conhecimento, pouco, sobre plantas nativas. Rumado ao destino, estabeleceu-se numa área muito pobre fazendo-se passar por curandeiro. A princípio, ninguém o procurou, mas tempos depois começaram a chegar pessoas doentes e com problemas da alma para resolver. Achando-se dotado de uma inteligência racional, o homem foi fazendo as suas mezinhas e rituais e criando palavras novas, que anotava no seu grande livro de descobertas. Passado algum tempo, em vez de receber apenas doentes, passou também a receber oferendas pela cura dos mesmos doentes. Depois de um estado inicial de incredulidade devido aos seus actos, o homem pôde confirmar que na verdade as pessoas que ele tinha tratado com a sua charlatanice estavam verdadeiramente curadas. (é caso aqui para falarmos em pluridimensionalidade, ou não?) O que dizem é que passado uns anos, queimou o seu grande livro de descobertas, tendo mesmo proibido os seus colegas de publicarem ou anunciarem as suas anotações anteriores. Hoje, é um famoso curandeiro numa área já não tão pobre, e sabe-se que tem feito alguma magia contra aqueles que insistem em não acreditar. Também dizem, é verdade, que não há posição por que não tenha passado com as suas mais de 117 mulheres.
Agora, Sr. José, no último ponto tem que me conceder alguma generosidade, pois eu ainda não sou curandeira, não leio a sua mente e também ainda não ingressei no passarouco.
Mas para que saiba, já segui o seu conselho; já me desapertei toda e tenho agora as minhas partes por aí à solta.
Um grande Bem Haja.
Posted by: uma garota profunda II | março 9, 2009 01:59 PM
céus! só agora fui ver qual o teu mail e vi quem és. ainda bem que a minha mãe não comenta blogues. arriscava-me a dar-lhe, também às escuras, uma resposta mais arisca e depois não ia adiantar desculpar-me com os ares da primavera (que isso não te impeça, Penélope, de ler o Joyce com maior atenção)
Posted by: José Quintas | março 9, 2009 02:45 PM