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dos primeiros anos de Jorge de Sena e dessa coisa do reconhecimento crítico

Vou pedir a cada um de vós o favor extremo de imaginar que é poeta. Que é um poeta português. Que é um poeta português escrevendo e publicando em Portugal. E tudo isto na viragem dos anos 30 para os anos 40, com o contexto social e político, nacional e internacional que todos conhecem. Qual seria a vossa atitude se, ao longo de cinco, dez, quinze, vinte anos, ouvissem e lessem, com a certeza implacável de um relógio suíço, que sois:

- «difícil, obscuro, por vezes impenetrável» (Guilherme de Castilho, 1943);

- «senhor[es] duma riqueza de motivos mais intelectuais do que poéticos», «conduz[is] o hermetismo da expressão a um grau em que é difícil destrinçar onde acaba o propósito concebido e onde começa a insuficiência de recursos» (João Pedro Andrade, 1943);

- «infinitamente mais inteligentes que poetas propriamente ditos» (João Gaspar Simões, 1951) […] «muito culto[s], de uma cultura em que a planta frutifica sem dar flor» (idem, 1959)?

excertos (com alguma liberdade paragráfica) de
«Título Nenhum Serve para o Estudo da Recepção de Jorge de Sena nos Anos 40»,
Jorge Fazenda Lourenço