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da dificuldade de multiplicação dos intelectuais de direita

A tendência oposta à do título começou nos anos 80, quando uma geração mais nova em busca de afirmação pelo contraste se demarcou de valores derivados do marxismo, Maio de 68, PREC, etc., valores esses defendidos pela geração que então ocupava os postos de trabalho e o território de influência que os mais novos desejavam.

Nos últimos anos, alguns destes já-não-tão-jovens conseguiram realizar, imagino, os seus objectivos. Indício/paradigma dessa ambição? Alguns dos nomes d’O Independente escrevem agora no Expresso que antes abominavam – da revolução à instituição, um percurso comum também para conservadores?

Ainda agora, muito de vez em quando, ouve-se um ou outro comunicador de direita lamentar-se do facto de a maior parte dos seus colegas de profissão (escritores, cineastas, jornalistas, etc.) ser de esquerda e arredores. Em Portugal, com os tais 20% da população abaixo do limiar de pobreza, e talvez mais uns 60% a perder, ano após ano, o chamado poder de compra, tal lamento é, no mínimo, pouco inteligente - seja, só revela insanidade ou miopia, senão repare-se:

Também é certo que esta argumentação, na prática, cai por terra muito facilmente, face aos interesses de quem controla os media tradicionais; não consigo imaginar, por exemplo, uma jovem candidata a jornalista a apresentar-se diante dos canídeos chefes de redacção da maior parte dos jornais ou tvs como sendo de esquerda. Só lhe restaria um futuro sombrio na blogosfera.