lisboa a metro (um guia rápido para turistas, a partir do provável suicídio ocorrido hoje, à hora de almoço, de uma ou duas pessoas na Linha Verde)
Esta frase costuma correr, com demasiada frequência, nos placards electrónicos do Metropolitano de Lisboa. Assim mesmo, sem mais. Nem sequer indica uma estimativa do tempo necessário para a reparação da presumível avaria. Diz-nos apenas: «Aguente ou chame um táxi». Ocasionalmente, surge outra mensagem:
Porquê «EXPLORAÇÃO» e não «CIRCULAÇÃO»? Esqueça-se a franqueza dessa opção e atente-se na frase. Se bem que o seu significado esteja reservado para os utilizadores mais frequentes do Metro, motivos alheios querem simplesmente dizer que alguém se atirou para debaixo de um comboio. Existe ainda outra:
Aos olhos dos turistas esta última mensagem possui o condão de transformar a maioria dos indígenas em potenciais carteiristas. Os meus, ávidos de entrever sentidos onde eles podem nem sequer existir, traduzem apenas que um ou outro desconhecedor do significado imediato de «belonging» vai, mais tarde ou mais cedo, atirar-se para debaixo de mais um comboio qualquer.