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guarda-sol


No paraíso dos ricos que ficaram pobres não há muito mais: um guarda-sol de folhas de palmeira e criaturas estranhas que pendem das paredes, tentando esconder-se sob o guarda-sol. Mais estranho ainda: o Sol já ali não incide há muito; as paredes têm manchas de humidade e o ar foi nacionalizado pelo mofo. Idiota, pergunto o porquê do guarda-sol. Respondem-me que «moreno» é cor de pobre. Eu, cara-pálida, acredito, pois os ricos que ficaram pobres conhecem o espectro, têm quase sempre as suas razões iluminadas pela saudade do Sol. O Sol é que já não quer nada com eles nem com a Razão. Há alguma ironia nisto: indiferente a ambos, por momentos fiz parte de uma nuvem negra sobre quem desejou o Sol só para si.