bruscamente no outono presente
Na passada 5ª Feira levei o meu primeiro livro de A.B. Luís para uma sala de espera de hospital. Passaram duas horas que me pareceram quinze minutos. Registo: aquela senhora tem um jeito líquido de escrever. Os caracteres escorriam de baixo para cima; subiam, melífluos, das páginas até se dissolverem na nuvem cinzenta por trás dos meus olhos. Conhecendo-a só de aparições esporádicas na tv e nos jornais, fui pensando «naaa, alguém assim não pode escrever nada que me cative». Erro medonho subsidiado por uma iconoclastia adolescente, resiliente. Ignorante deveria ser o meu nome do meio, admito. Falta-me averiguar se existe algum romance dela que se debruce sobre tempos mais actuais.