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+1x: realidade vs. imaginação

Diante de alegações apressadas que pretendem pesar como sentenças, recorro amiúde à tradução à letra de uma citação de Eliot ainda por estafar:


VITA NUOVA could only have be written after a personal experience
VITA NUOVA could only have be written after a personal experience
VITA NUOVA could only have be written after a personal experience


Outra possibilidade de recurso prevista na lei do bom senso provém de um velhote vestido de negro até aos pés. Perguntava ele um dia a alguém mais jovem dentro de um hábito semelhante:

- Passou por isso?... Ai não passou? Então passe e diga depois de sua justiça. Claro que pode continuar a dedicar-se à ficção científica, mas deveria deixar os bitaites sobre a realidade para quem nela vive.



É inegável que a defesa do experimentalismo supra - até na ciência; até nas artes - levado às últimas consequências nas práticas quotidianas tem as suas limitações. Estas começam logo no curto universo espacial e temporal de cada um. Esticada esta valorização ao absurdo, só um trolha estaria habilitado a opinar sobre construção civil, um gigolo sobre o sexo, um político profissional sobre a governança, e assim por diante. A democracia não é isto; não deveria ser, pelo menos. No seu sentido mais básico, implica troca de opiniões e atenção aos mais diversos pontos de vista, mesmo que daí nada resulte em termos práticos.

Sabemos bem a importância das ideias e da imaginação na lubrificação dos motores da realidade. Mas, que raio, que credibilidade terão bitaites sobre o amor da parte de quem namorou um par de vezes ou nem isso; generalidades sobre a natureza humana proferidas por quem receia a generalidade das pessoas; soluções para problemas do dia-a-dia das populações por parte de quem passa a vida cercado de relatórios, encafuado em gabinetes e carros com vidros convenientemente fumados?

Poderia ir por aí fora, privilegiando apenas a opinião de especialistas, e acabar em mais alguns becos sem saída. Fico-me então por aqui, bamboleando estes ossos cada vez mais frágeis entre experiência e imaginação, esperando que a corda bamba presente em tudo isto não me atraiçoe tão cedo.


(imagem retirada há muito do Google Images / origem já não disponível)