quase lá
Falta uma hora. Preparo-me para o culminar de um mês ímpar. Razias atrás de razias, a maior parte com razão de ser. Diz-se que Átila preferia cavalos sobre todas as coisas. Pouco mais nos separa. Nem sequer a vaga geometria entre bom sono e consciência tranquila. Como vou dormir esta noite? Nos braços de um anjo de olhos rasgados. A vítima, por seu lado, não faz ideia do que a espera. Julgou ver um dia paciência e compaixão no meu olhar. E viu. E caiu na asneira de acreditá-las infinitas num Huno, flagelo dos orfãos de um Deus ausente e tretas que tais. Idiota. Não ouviu nem uma das minhas palavras. Já faltou mais para levá-las a sério. Não levo fato e gravata porque não tenho fato e gravata, mas vou esmerado. Levo comigo um intuito pedagógico: na memória da vítima faço questão de associar maldade e bem-vestir.