Escrevia Galbraith (pai) em 1994, num reader's digest para leigos como eu, intitulado «A Journey Through Economic Time»:
Para os economistas e muitos outros a taxa de crescimento é a dinâmica do capitalismo moderno. Uma economia, tal como um adolescente saudável, deve ter um compromisso intrínseco com essa dinâmica. […] Importante é também a sua extrema falibilidade […] Existe em primeiro lugar a tendência para enterrar a instabilidade. Fazem parte do sistema episódios recorrentes de devastação. O crescimento abranda e dá lugar ao declínio absoluto. A confiança e o bem-estar dão lugar ao medo e ao abatimento. Isto há muito que é assim, mas é frequente não ser reconhecido.
No século passado [19], nos Estados Unidos chamavam a esses episódios «crises» ou «situações de pânico». Pouco depois, considerou-se que esses termos transmitiam medo e produziam um efeito adverso na moral dos empresários, e recorreu-se ao termo «depressão», muito mais brando. «Não se trata de uma situação de pânico, é apenas uma depressão». «Depressão» adquiriu depois, nos anos 30, uma conotação profundamente negativa e, na busca de um termo menos perturbador, passou a utilizar-se a palavra «recessão». «Não é uma depressão, é só uma recessão». Quando o termo «recessão» instituiu o seu próprio significado desagradável fez-se um esforço para substituí-lo por «crise de crescimento».
Na recusa de pior, «crise de crescimento» também me serve para resumir as últimas semanas de galderice. Nesta desordem de ideias reside a suspeita de que habito um corpo também capitalista, construído à imagem desse sistema, pelo menos. Engoli-o e não sei como vomitá-lo. Numa fase em que já não é possível crescer para cima, fecho os olhos para não ver que ainda vou a tempo de estoirar pelos lados.