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números


Ouvi estes números pela primeira vez em conversas ociosas de Agosto passado. Já não sei exactamente quem foi/foram o/s seu/s autor/es: se quem os vende; quem os escreve; ou outros dois amigos que os lêem há várias décadas. Foi decerto alguém que conhece bem melhor o terreno do que um miserável que comprou pela primeira vez um livro de poesia em Março passado.

Este fim-de-semana, aquela média de 300 exemplares/livro foi de novo referida na sequência de um artigo do Público. Sem poder debater a exiguidade de números que não me dizem respeito, importa-me salientar um aspecto que alguns já conhecerão sobejamente, mas talvez muitos mais não tenham dado ainda a atenção devida: a publicação de poesia em blogues.

Ignorando a média de visitas diárias que a maior parte dos blogues que divulgam poesia podem atingir, vou cingir-me àquilo que conheço. Um poema publicado num blog que, nos piores e nos melhores dias, oscile entre as 150-250 visitas, em 3 dias, pode ser lido por mais pessoas do que as previsíveis 300 que compraram o livro. Extrapolando um pouco mais, é bem provável que esse poema, ao fim de uma semana, tenha sido lido por mais do que os 1000 portugueses que compram regularmente livros de poesia. Enfim, são números, combinações de zeros e uns, que servem para divulgar palavras.