livro interior
Proponho chamar livro interior a este conjunto de representações míticas, colectivas ou individuais, que se interpõem entre o leitor e qualquer escrito novo, e que moldam a leitura sem se dar por isso. Largamente inconsciente, esse livro imaginário funciona como um filtro e determina a recepção de novos textos, decidindo quais os elementos que ficarão retidos e como serão interpretados.
«Como falar dos livros que não lemos?»,
Pierre Bayard
Quanto ao livro interior de signos desconhecidos (…), em cuja leitura ninguém me podia ajudar com nenhuma regra, essa leitura consistia num acto de criação, onde ninguém nos pode substituir nem mesmo colaborar connosco. (…) Esse livro, o mais difícil de decifrar de todos, é também o único que nos tinha ditado a realidade, o único cuja impressão foi feita em nós pela realidade.
«Le Temps Retrouvé», Marcel Proust
(trad. Maria A.S. Sacadura)