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e outra vez: a ausência de lugar

Um desagrado meu: entrar-lhes pela casa dentro. Um prazer mútuo, creio: conviver por breves horas com velhotas excêntricas. Uma delas, já a meio da conversa, identificou-se como sendo filha de uns marqueses e prima-direita de um “barão” de um partido que já se intitulou de centro-esquerda, depois de centro, e actualmente nas brumas do liberalismo de fachada estatal.

Provoquei: «O quê?! E não tem vergonha de ser prima dele?».
Chegou para mim, a danada: «Que horror! Com essa carinha de herói romântico de filme mudo você é muito querido para perguntar uma coisa dessas. Devia era lamber esse cabelinho para trás».

E passamos a tarde naquela esgrima de brincadeira:
- Acha bem que descreva isto como um objecto de barro superfino com gatafunhos chineses?
- Ai que me dá uma coisa… isso é uma porcelana da dinastia Ming, seu iconoclasta demodé! Olhe que eu sou tia, mas nunca fui loira.
- Isto foi fotocopiado ou é mesmo a 1ª edição de «La Fille aux Yeux d’Or»?
- De onde conhece você Balzac, seu plebeu?
- Sabe que depois do 25 de Abril… os furgões da Gulbenkian… a curiosidade talvez.
- Olhe que eu não perdi quase nada com a revolução. Não sei se reparou, mas sou mulher.