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a Norte, em 14 de Agosto

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O Norte onde me encontro não é o Ocidente que Leonel Moura referiu na imagem de cima. O Norte onde me encontro não é o Muito-Mais-A-Norte onde gostaria de estar agora mesmo. O Norte onde me encontro já não tem quase ninguém que me trate por Zezé, já não vive no final do século XX. O Norte onde me encontro teve subsídios para mansões, piscinas e Ferraris, patrões que trataram trabalhadores como gado, bovinos que só se transformam em lobos diante do Código da Estrada, autarcas que não falham um funeral desde 1974, chico-espertos que iludem a miséria com citações de telejornal, passadeiras onde não é suposto parar, crimes que não cabem nos cabeçalhos do Jornal de Notícias. E desempregados, tantos desempregados encostados nas paredes dos Cafés. Imagino os restantes escondidos em casa dos pais a olharem para o Goucha, convencidos que a culpa é sua e só sua, ou do vizinho do lado que comprou um plasma 5cm mais largo e vai por isso levar com um tiro nos cornos mais dia, menos dia.