chissà se mi dici una bugia o la verità
- o baterista rulezzz!
- extraído do filme “Toto, Peppino e Le Fanatiche” (1958), este êxito de 1950 da banda de Renato Carosone ironizava de forma bem-disposta a americanização dos costumes dos italianos de 1945 em diante;
- uma versão mais zangada do mesmo conceito foi retomada há poucos anos em Portugal por Sam The Kid com «Poetas do Karaoke»;
- de quando em vez, surgem nos mais diversos blogues portugueses opiniões muito críticas do uso e abuso de expressões em inglês.
Isto costuma pôr-me a coçar o frontespício, sobretudo por ser impossível não conceder alguma razão a estes queixumes.
Visto do outro lado, convenha-se que não é fácil distinguir quando tais expressões são utilizadas por mera presunção ou como evidência de que já não vivemos dentro da redoma salazarenta. Daí estarmos mais receptivos ao que vem de fora; daí também a vulnerabilidade, comum a tantas culturas, perante a terrível máquina exportadora de valores dos norte-americanos.
Poderia agora aumentar a minha indefinição, metendo ao barulho mais pros and cons, palavrões como Globalização, Latim, Viriato, questões pertinentes do género «como é que os iberos primevos diriam: Let’s make love and listen to Death From Above?», e tudo iria desaguar no conflito permanente entre a prepotência dos mais fortes e o dever de resistir pouco utilizado pelos mais frágeis.
Pois-pois, lalali-blablabla e a minha relação com o inglês pouco difere do que os europeus terão sentido com a entrada dos cowboys na 2ª Guerra. Por estranho que pareça, não fosse a adesão precoce ao pop-rock saxão e a prática auto-induzida do inglês entre os meus 8 e 10 anos, com repetições sistemáticas de palavras com o [r] quase mudo («through», «hard», «hearing»…), e talvez ainda hoje continuasse a dizer «pepotência» em vez de «prepotência», «fotes» em vez de «fortes», «fágeis» em vez de «frágeis» e por aí fora. Talvez ainda fosse gago, até. Nesse sentido, se o rock’n’roll não me salvou a vida, pelo menos resgatou a minha oralidade. E é melhor ficar por aqui. Este final não soou nada bem.