che m'importa del mondo
Seguir-se-ão, por esta ordem ou outra qualquer que, no entretanto, ganhe vida própria:
- uma versão divertida, creio, do clássico folk escrito por Pete Seeger e Lee Hays em 1949, «If I had a Hammer», cantada por Rita Pavone em 1964;
- «Tu’ vuo fa’ l’americano», um híbrido de swing, twist e rock'n'roll interpretado pela banda de Renato Carosone em 1950, parodiando em dialecto napolitano a influência ianque no pós-guerra italiano;
- a visão de um ianque, Jim Jarmusch, sobre essa faceta histriónica dos italianos, através de um quase monólogo de Roberto Benigni, extraído do filme de 1991, «Night On Earth».
Mais coisa menos coisa, serão estes quatro os exemplos escolhidos pelos meus tímpanos incorrigíveis no lado, por assim dizer, mais solarengo da cultura popular italiana. De fora ficaram, em jeito de contrapeso lunar, imagens de medonhas e pegajosas lasagnas, do seu futebol miserável e do péssimo gosto na escolha de líderes políticos, o que, de resto, não é um exclusivo italiano.
Finalmente, na próxima 2ª Feira, os vídeos e estereótipos ficarão para trás, para dar lugar às singulares palavras de um português que passeou recentemente os seus, cito-o, «volúveis, ociosos tacões» por aquela península em forma de bota. Correndo o risco de aborrecê-lo com este trocadilho trapalhão, adianto ainda assim que a referida bota terá desferido mais um piparote criativo num dos incontáveis poetas estrangeiros que passaram ao longo dos tempos por Itália sem conseguirem ficar-lhe indiferentes.