nota de resgate (-1)

«Os rascunhos ultrapassam em número o dos posts. Que fazer quando tudo arde?», perguntavam o Sérgio e Sá de Miranda há anos cuja conta perdi. Há algo aqui de errado, muito errado. A canícula tem-me afastado da praia. Deveria também pagar-me um bilhete para longe dos posts, de tudo e, no entanto, gloso mais abaixo anjos e criaturas que me prendem à cadeira. Deixem-me exportar esta culpa, esse sentimento tão hebreu. «Tu podias ser um daqueles», dizia um dia a minha mãe diante de reportagens sobre a faixa de Gaza. Quais, judeus ou palestinianos? Ambos, se me conhecesse melhor e soubesse o porquê dos rascunhos e posts que não param. Gostava que parassem. A culpa, se houver/nem sempre há, recai sobre a reposição de «Angels in América», no canal MOV. Céus, mãe! Aquilo parece Shakespeare. Tive o azar de ser obrigado a estudar o bardo versus nunca previ o prazer de encontrá-lo numa série de tv sobre a América dos 80. Reflexões absolutas, equilíbrio único entre artifício e coloquialidade. Não há um diálogo mal escrito. Ouve-se uma fala e saem meia dúzia de posts. Aproveita-se menos de metade e conclui-se: «Há quanto tempo não vais ao teatro?»