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cansei de ser sexy

Puta-Que-Pariu-Caralho-Foda-se! Se é que alguma vez teve, pelo menos desde 1975 não tem qualquer piada ser maoísta. Ser punk também perdeu a graça pouco depois de 1977 e já antes do «Talvez Foder» de Abrunhosa que proferir palavrões não era muito diferente do que hoje significa almoçar hambúrgueres.

Onde nasci, a tradução de «meretriz-que-deu-à-luz-falo-fornique-se» já nem sequer serve como insulto de tanto ter sido repetida. Não é de agora a suspeita de que existe mais sexo nas palavras e écrans e t-shirts do que no sítio onde é mais confortável praticá-lo: entre lençóis.

Há muito que se deveria ter reparado que não basta inundar os meios e as artes com as partes para levar a cabo uma revolução sexual. Na dúvida, pergunte-se a qualquer e-remita. A resposta, se honesta, será sempre: «pornografia não é sexo».
O que se conseguiu com isso? A banalização de um acto que funciona bem melhor confinado ao território que vai do animal ao sagrado.

Descansem os mais impacientes. Valerá de novo a pena expor as nossas partes ao desbarato e proferir os piores despautérios quando a pandemia puritana a isso nos obrigar. Já faltou mais.