cansei de ser sexy
Onde nasci, a tradução de «meretriz-que-deu-à-luz-falo-fornique-se» já nem sequer serve como insulto de tanto ter sido repetida. Não é de agora a suspeita de que existe mais sexo nas palavras e écrans e t-shirts do que no sítio onde é mais confortável praticá-lo: entre lençóis.
Há muito que se deveria ter reparado que não basta inundar os meios e as artes com as partes para levar a cabo uma revolução sexual. Na dúvida, pergunte-se a qualquer e-remita. A resposta, se honesta, será sempre: «pornografia não é sexo».
O que se conseguiu com isso? A banalização de um acto que funciona bem melhor confinado ao território que vai do animal ao sagrado.
Descansem os mais impacientes. Valerá de novo a pena expor as nossas partes ao desbarato e proferir os piores despautérios quando a pandemia puritana a isso nos obrigar. Já faltou mais.