à superfície do pântano, para uso de hábeis conformados
Tudo isto se reflecte, por vezes em dramáticas elipses de concisa síntese, em Sá de Miranda, que é mais uma das ilustres vítimas, típicas da história da cultura portuguesa – dessa divisão contraditória de personalidade entre o passado e o futuro, a tradição e a revolução, o pensamento e a acção, o homem social e o homem moral, que do Rei D. Duarte a Antero, com seu ácume em Camões, vem explodir definitivamente em Sá-Carneiro e Fernando Pessoa, deixando apenas à superfície do pântano, para uso de hábeis conformados, brilhantes fragmentos de literatura.
«Reflexões sobre Sá de Miranda
ou a arte de ser moderno em Portugal», Jorge de Sena