querer dar e não ter nada para dar
Não entendo este rapaz. Escrita na fronte, a certeza para onde vai. Atrás do olhar, um desencanto filho da mãe. Faz lembrar aquelas personagens que aparecem nas bodas, sem ninguém saber se vêm da parte do noivo ou da noiva. Reparamos na sua figura e chamamo-lo para junto de nós. Ele vem, enquanto vai debicando pratos e conversas, sem levar nada até ao fim. Atento ao que dizemos, faz-nos sentir especiais. Por momentos, parece que o lugar dele é ali. Pouco depois, percebemos que faz isso com todos. Uma criatura gentil, democrática, por assim dizer. Não adianta esgravatar a sua privacidade – responde-nos com uma frase meio disparatada e um sorriso. Sorrimos com ele, claro, gostamos da sua companhia, mas acabamos sempre de mãos vazias. É então que entendemos o seu olhar.