« kraut, gestern nacht war ich noch einmal | Main | retratos de dois militantes anti-acordo ortográfico »

super flumina lusitanis

O post de cima é dirigido com muito carinho e particular afecto aos que aderiram à causa que, de tão nobre, deveria constar do programa do P.P.M.

A bem dizer, não conheço quem seja a favor do Acordo Ortográfico, i.e., conheço-me razoavelmente bem. Que os essénios das Letras se oponham não é de admirar - as grutas existem para isso mesmo e, a longo prazo, até convirá que alguém as ocupe e cuide dos pergaminhos.

Misturando bogalhos que também são alhos, a oposição à renovação da Língua, de qualquer língua, não fica muito longe da aversão que alguns espíritos cansados têm pela deriva prosaica de alguma poesia lusa mais recente. Parece também aqui tratar-se de uma questão de caruncho.

Uma coisa é alguém começar por chamar-se Filipe Mota e mudar para Felipe Motta. Outra é sentir uma enorme empatia por velhinhos que ainda escrevem «pharmacia». Não consta que tenham penado na prisão por tal desobediência. Que coceira é essa então com a inevitabilidade de os mais crescidos continuarem a escrever como aprenderam e os recém-nascidos passarem, daqui a alguns anos, a poupar um par de consoantes em algumas palavras? Por amor do Luís Vaz, vão-se catar.

Melhor: vão escrever. Em vez de perderem tempo a pugnar por acentos, pronúncias e vaidades, criem prosas e poemas; não parem de fazê-lo e talvez daqui a 400 anos alguém vos transcreva com a grafia próxima da original.




(origem da imagem e de uma opinião diferente)