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(excertos de «História da Linguagem», de Julia Kristeva)
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eretz yisrael

Parece que Israel comemorou os 60 anos da sua existência enquanto Estado a 14 de Maio. Descobri-o ao ler uma excelente série de posts sobre o assunto na «Rua da Judiaria». Aproveitei depois para continuar por ali abaixo e, gradualmente, fui-me apercebendo tanto do rigor na composição dos posts, como de um orgulho subjacente em pertencer a um povo/cultura. E dei por mim a reagir com estranheza este último aspecto. Duas constatações resultaram daí: sendo aquele “tom” natural num sítio assumidamente dedicado à cultura judaica, a minha reacção, vinda de quem desconhece o sentimento de pertença a um grupo de amigos ou a um clã familiar, a um clube ou a uma nação, não o foi menos.
De seguida, fui pela net fora em busca de mais referências. Simpatizei particularmente com o que encontrei sobre «self-deprecating jews». Talvez por contágio, até concluí este insulto para três culturas: os árabes e cristãos mais extremistas não passam de judeus sem sentido de humor. Só mais uma vez para reforçar a ofensa: os árabes e cristãos mais extremistas não passam de judeus sem sentido de humor.

Com o google cada vez mais cansativo (os links decentes costumam surgir ao fim de uma dúzia de páginas), recorri depois a matéria mais fiável - a madeira das estantes e dos livros - e encontrei algo próximo do que procurava: «História da Linguagem» de Julia Kristeva e «A Passo de Caranguejo» de Umberto Eco.

Por alguns excertos serem pouco abonatórios do lugar à parte para que alguns costumam remeter a cultura judaica, hesitei um par de segundos antes de utilizá-los aqui. A ser verdade o que dizem da origem de certos apelidos portugueses, não deveria fazê-lo, pois, penduradas nos ramos mais próximos da minha árvore genealógica, encontram-se características morfológicas e repetições de Carvalhos, Pereiras e Silvas bastantes para me causarem problemas, caso tivesse vivido na Alemanha dos anos 30.


Talvez seja melhor então afirmar desde já que, apesar de todos os excessos praticados em nome da chamada civilização judaico-cristã, considero-me um sortudo por ter nascido sob esse sistema de valores. Quanto mais não fosse, se vivesse em África ou na Ásia, muito provavelmente não teria acesso ao mesmo conjunto de condições básicas de vida.

Até que ponto é que essas condições foram conseguidas à custa da predação dos mais indefesos, e até onde chegarão os argumentos das elites para convencer-nos a abdicar de algumas delas, são assuntos que ultrapassam as margens desta meia dúzia de posts. Reduzindo esta posição ao essencial: ainda bem que não passo fome e ainda detenho alguma liberdade de expressão.

É então forçoso sentir-me também grato em relação aos que lutaram e lutam pela melhoria das condições básicas de vida para o maior número possível de indivíduos, condições essas sem as quais nenhum sistema de valores consegue perdurar.