Boris Vian: «Elimine-se o condicional e Deus terá deixado de existir»
![]() | Acreditar no poder transformador das palavras não é o mesmo que levar o evangelista João à letra: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus”. Se assim fosse, significaria que alguém se teria cansado de nós logo após, ou prolongado demasiado o 7º dia, para ter ficado mudo e preferido comunicar através de Vassulas e Alexandras Solnado. |
Cá para mim, que continuo a preferir os judeus que cultivam sem falsa modéstia o desporto arriscado da auto-depreciação, o pecado original foi e continua ser o 1º venial: a Vaidade. Culpemos então alguns árabes e todos os antisemitas por terem perseguido os judeus, encurralando-os na ilusão do «povo eleito» - tivessem sido mais tolerantes e as 12 tribos teriam ficado tranquilas no seu sítio; tivessem sido mais previdentes e os judeus talvez não tivessem impingido a sua História ao resto do Mundo.
Repare-se: fosse aquela moral divina e não haveria eleitos à partida. Neste sentido, mais próximos da perfeição em abstracto ficaram os jacobinos que defenderam a igualdade de oportunidades. É sabido que se perderam depois, como todos os fanáticos - sic transit, gloria mundi, ou coisa semelhante. Oh sim, a vaidade, essa grande vaca! Se o Verbo fosse o princípio, o post de baixo seria macumba e eu não passaria de um peixe-balão se acreditasse que um lamento teria despoletado a chuva que tombou a sério sobre Lisboa pouco depois da sua publicação.
