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a pensar na Sra. Ciccone
(excertos de «História da Linguagem», de Julia Kristeva)

Vários séculos mais tarde, uma corrente da mística judaica conseguiu ligar mais profundamente a sua experiência à linguagem e à sua inscrição: a Cabala. Difundiu-se principalmente no Sul de França e em Espanha, entre 1200 e o princípio do séc. 14, e encontra-se exposta com maior desenvolvimento no Zohar e no Bahir. (…) No cruzamento do pensamento cristão com as religiões árabe e indiana, a Cabala faz das letras do alfabeto hebreu um objecto privilegiado de meditação e de concentração que dá acesso ao êxtase, liberta o sujeito e permite a sua comunicação com Deus. Estas letras, em si mesmas, não têm nenhuma significação precisa. Não corporais, abstractas, tomadas a uma lógica formal e funcionando umas em relação às outras como as notas de música, as letras possuem valor numérico. (...) O cabalista profético aproxima-se das práticas dos yogis indianos, do seu domínio do corpo e das suas técnicas ligadas a uma pronunciação sagrada dos diversos fonemas.