a linguagem é um vírus do espaço exterior (2)(excertos de «História da Linguagem», de Julia Kristeva)
Considera D'Olivet que, embora o hebreu não seja a língua-mãe da humanidade, como acreditavam muitos dos seus predecessores inspirados pela narrativa bíblica, pelo menos os seus princípios gramaticais podem «mais seguramente conduzir a essa origem (da fala) e desvendar os seus mistérios. (…) O mandarim, isolado desde o seu nascimento, procedente das mais simples percepções dos sentidos, chegou de desenvolvimento em desenvolvimento até às mais altas concepções da inteligência. É exactamente o contrário do hebreu: este idioma formado por uma língua que tinha atingido o mais alto grau de perfeição, inteiramente composta por expressões universais, inteligíveis, abstractas, entregue nesse estado a um povo robusto, mas ignorante, caiu nas suas mãos de degenerescência em degenerescência e de restrição em restrição até aos seus elementos mais materiais. Tudo o que era espírito tornou-se substância, tudo o que era inteligível tornou-se sensível, tudo o que era universal tornou-se particular».