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Há coisa de um ano, em busca de uma música chamada «The James Bond Theme», escrevi ao Daniel e mencionei «John Zorn». Daniel respondeu «Masada», deixando um «ç» no hipertexto. Tinha razão, claro. Foi o que bastou para sugerir-lhe massada de peixe:

cebola? esquecer a cebola > azeite a cobrir o fundo do tacho > meia dúzia de alhos cortados > 3-4 folhas de louro > momentos antes de os alhos ficarem castanhos, é tempo de atirar-lhes para cima pedaços de peixe e/ou camarões / não demasiado pequenos para não desaparecerem durante a confecção > logo após, cogumelos / de lata, nem pensar / mesmo que do hiper vizinho, os naturais sabem / mais: são fundamentais na contaminação do que ficou antes e do que vem depois > uma dúzia de pequenas lascas de pimentos verdes e/ou vermelhos / os amarelos, tal como os fura-greves, não sabem a nada > sal e pimenta naquela proporção pouco científica conhecida por «q.b.» e que por cá se define com a expressão feliz «a gosto» > um aparte pouco maria-de-lurdes-modesto: para além dos condimentos, é uma pena não se poder fazer quase tudo «a gosto» / talvez quase tudo soubesse melhor / lá chegaremos um dia, quando mais pessoas acreditarem que é possível > perto do fim, chega a vez da massa > escolhendo aquela em forma de cilindros ocos, talvez não fosse má ideia juntar um pouco antes 2-3 filetes de pescada já sem pele e sem espinhas / podem ser congelados, pois vão desempenhar um papel quase secundário / o seu destino é ficarem desfeitos em pedacinhos que vão acomodar-se nas cavidades da massa e acentuar-lhe o sabor quando trincada > nada de drogas à mistura > seja: um vinho denso > acompanhar com ameixas eléctricas.