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Antes de conhecer os rudimentos, a cozinha assemelhava-se a um planeta desconhecido, presumivelmente tão árido quanto Marte. Hoje, já se confunde com aqueles planetas do «Espaço 1999», em que as cenas em florestas virgens eram filmadas algures no Yorkshire. Um mundo de possibilidades, ainda assim. Sem exagero, existe maior diversidade no logos necessário à confecção de um prato do que no fabrico de um post.

Há, contudo, linhas que se tocam: sobrecarregar um blog com imagens ou músicas que se atropelam, sem tempo de leitura suficiente entre uma música e a seguinte, ou com manchas intermináveis de caracteres que afugentam as vistas nestes tempos de atenção deficitária; tudo isso é comparável ao excesso de sal, ou de azeite, ou à mistura de demasiados ingredientes e condimentos cujos sabores se anulam mutuamente; tudo isto não é muito diferente de aterrar num planeta ou num blog construídos à imagem da Baixa de Las Vegas. Não é novidade: quando a luz ou a informação são demasiadas, o maior risco é o de ficar cego. No mínimo, o sabor vai-se.