Três notas em jeito de ficha técnica.
1. A música é de Pedro Lago, o qual, avesso a elogios, não vai gostar nada de ler que eu nunca ouvi nada assim. A voz foi recolhida (e desacelerada) pelo Pedro dos arquivos em domínio público da Librivox. Trata-se de um excerto da leitura, pelo russo Yakovlev Valery, do conto de F. Dostoievski, «Noites Brancas».
2. Li algures que o filme homónimo de Visconti não foi muito bem recebido pela crítica conotada com o neorealismo, por ter descurado questões sociais da moda de então, preferindo versar uma história de amor. Algures também, alguém salientou no conto um quarto decadente, o isolamento e o amor não correspondido do protagonista, um moço alienado do seu tempo, na S. Petersburgo do final do séc. 19.
3. As imagens resultaram da soma de dois takes domésticos do meu Samsung Mobile-qualquer-coisa. Ao efeito meio fuzzy, os coreanos chamaram-lhe "solarizado". Ficou por montar um terceiro take no final, em que o mundo para lá da janela, vítima do tal efeito, parece em chamas, tal e qual uma daquelas lareiras com um monitor a fazer de conta.