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Anton Newcombe

A discussão ao almoço centrou-se nos Brian Jonestown Massacre e na eterna questão: será o Anton Newcombe um génio ou, simplesmente, drogado. O meu interlocutor, um dos grandes instrutores do Rock a operar nos cafés e restaurantes de Portugal, pendia para os problemas de adição do lead singer; eu, num registo mais pachólico, lá dizia que as condições não eram mutuamente exclusivas (choco de todo, portanto). Os jaquinzinhos, no fundo do prato, não diziam nada, tal era o apetite e celeridade de ingestão. Está claro de ver que a conversa não chegou a conclusão nenhuma e, aproximando-se as duas da tarde, rematámos com o cordial “bem, está na hora”.


Q&A
O rock tem falhas (mesmo as suas facções mais extremas) e não inclui todas as respostas para o que quer que consideremos. Até o sadcore, realização máxima do dito rock, está repleto de pontos de pura suspensão, momentos indefinidos sugerindo sempre (em todas as repetições da música) o adiamento. We’ll cast some light and you’ll be alright, for now (José González dixit), se tudo fosse tão simples quanto despejar luz, ao mundo e restantes problemas bastaria a arte fotográfica.


Os Indiferentes
“I feel the pain of everyone - then I feel nothing“
O caso da banda cuja carreira miserável e existência desgostosa acabou no Valhol do sonho pop: dizer alguma coisa sobre a vida das pessoas. Nem devia reproduzir o nome dos citados (J Mascis - Dinosaur Jr), para não quebrar o meu compromisso com a música trendy. Mas é preciso estofo para arrancar uma frase como “I feel the pain of everyone - then I feel nothing”. Será o retrato mais linear da ordem mundial. Não é por mal, nunca é por mal, mas é irreversível. É triste, é sempre triste, mas torna-se indiferente.


Dever
Todos deviam ter o direito de ouvir, pelo menos uma vez na vida, o Quédate Luna, Devendra Banhart, música 6 do Cripple Crow. Era justo que, mesmo os que zombaram da New Weird America, podessem ser perdoados e encontrassem alguma forma de conforto em “tomar un traguito ahora” acompanhando o bambolear de “¿Qué tomas lunita e porqué estás tan amarilla? Bueno, ya estoy cansada e mis hijas ya me dicen viejita“.


History Repeating 2
Como sabem, no futuro, a aferição ao céu e respectivo plano de candidatura passarão por um exaustivo questionário sobre música rock. Escolhas múltiplas, esse género de coisas. Um dos capítulos mais exigentes é o “folk intelectual, ideias contemporâneas - formas tradicionais, a viola na mão tout court”. Há duas ou três coisas que gostaria de dizer: Dave Van Ronk, Michael Hurley, e mesmo Woody Guthrie (Deus me perdoe) continuam a fazer sentido, mas não equivalem aos novos dias. Falta-lhes a ansiedade contemporânea, a velocidade e confusão sincronizada com máquinas e inteligências digitalizadas. There’s more to life do que o estabelecido em canções folk antigas, talvez not much more, mas evitar a progressão é fraqueza, debilidade. Há um legado, claro que há um legado, e uma colecção de discos e uma aprendizagem; mas também existe o tempo.
É tentador encerrar o assunto folk como o apartamento pronto, chave na mão, bora lá falar com o empreiteiro por causa da escritura, viveremos aqui os próximos 50 anos. É sobretudo cómodo restringi-lo a um universo de autores canonizados e afastar o sabor das Descobertas, como tirar as maçãs da fruteira, procurar onde sabemos que vamos encontrar - mas não onde não nos vamos encontrar. Livrem-se de não ouvir discos novos.


A Sugestão do Poder
Deixei a música para escrever posts e agora dizem que escrevo posts sobre música. Isto do blog é apenas pretender pretender, propositadamente, perdendo o dó da viola em cada falso alarme de cada make believe. Paráfrase e passatempo, tenho para mim que o mal da natureza também passa pela sugestão.




(amostras recolhidas um pouco aleatoriamente há cerca de um ano e publicadas agora apressadamente muito devido a uma agoirenta cache do google de 19/4; muito mais aconteceu desde então na origem)