
A crueza não é uma virtude cívica,
dizem as lascas de madeira
ao cair no duro solo da realidade.
Mas a plaina, ou seja, o coração
é um feroz maquinismo, obedece
a um impulso mecânico, trabalha
toda a noite e eu não sei em que trabalha
(decerto no esquife que me há-de levar).
Também eu, acredita, estou chocado. Mas
não posso fazer nada. Contra o que parece,
não sou eu quem dá as ordens nesta serração.
«O Alibi», José Miguel Silva