DK-5
Na única vez que pisei solo marroquino, conheci um guia turístico chamado Mohammad al Sharif. Ouvi-o falar para um grupo de turistas misturando inglês, francês e castelhano na mesma frase, e com um sotaque tão josé-mourinho que não consegui reprimir uma gargalhada.
Zangado, veio ter comigo e perguntou-me em inglês se estava a rir-me dele. Sem dizer que não, levei logo ali nas orelhas com algo parecido com isto:
Naquele momento, só me ocorreu soltar um «ó que carago». Mal ouviu «carago», Mohammad interrompeu o sermão para perguntar em castelhano se eu era português. Após a confirmação, disse que já tinha andado a vender tapetes em Portugal e noutros países europeus, e que gostava mais de nós do que dos franceses e alemães. Acabou por dizer que tinha aquele nome porque o seu pai era fã de Omar Sharif. «So much for Islam…» pensei, mas já não disse.