DK-3
Quando miúdo, quem cuidava de mim fazia questão de me levar ao mercado porque confiava que saberia escolher as frutas mais doces. Diziam que me bastava olhar. Já não sei se seria mesmo assim. Lembro-me que a fruta parecia mais envelhecida do que agora, mas os adultos sempre sobrevalorizaram virtudes infantis.
Acabei de descascar uma laranja cujo aspecto preenchia todos os requisitos – casca fina, cor intensa, nem muito mole nem muito dura, peso bastante, pólo inferior pouco fechado – e o diabo do fruto nem sequer é azedo. Não sabe a nada.