Penduradas na árvore mais acima encontram-se algumas prendas mais e menos heréticas, mais e menos relacionados com esta época. «As long as Jesus give us everything we want, we love him», cantava Matt Johnson no século passado (The The, «The Violence of Truth»). Na falta de algo que não seja apenas «coisa», faz-se presente um objecto do passado.
Atrás desta imagem, pode ser encontrado um post com link (atenção à palavra-passe) para um ficheiro RARíssimo, com 8 mp3 ripados do vinil, único longa duração do Corpo Diplomático. Nunca publicado em cd (dizem, na voz passiva, que as master tapes se perderam), recebeu, em 1979, o nome feliz de «Música Moderna».
Era exactamente disso que se tratava. Se bem que algumas faixas, ouvidas à distância de 28 anos, deixem a impressão de terem sido gravadas numa só pista de tal modo os instrumentos se atropelam, nem isso consegue desfazer o facto de se tratar de um objecto musical único. Numa altura em que ainda não se falava de “rock português”, em que os discos estrangeiros eram publicados com um atraso de 2-3 anos e a quantidade de bandas punk não chegaria aos dedos de uma mão, a música do Corpo Diplomático já se situava naquele território difuso que mais tarde veio a ser conhecido como pós-punk (não por acaso, o nome de António Sérgio surge como co-produtor).
Deixando a faixa «Bombista» para outra oportunidade, ficam aqui duas amostras: «Engrenagem», um original de José Mário Branco, lado B do 45 rotações «A Festa»; e «Clandestinidade», para ilustrar a atitude que me tem permitido sobreviver ao Natal.
"quem dispara mais rápido do que a sombra, quem sobe paredes como uma aranha, quem é que caiu no caldeirão, hã, quando era mais pequeno, quem tem o martelo de asgard, tu? quem é que tem um batmobile? quem é que tem uma caixa forte onde guarda a moeda nº 1? quem voa por todo o universo, quem tem o corpo de borracha, quem tem uma plantação de amendoins que o transforma em super-herói? não esperes encontrar um velho de barbas sentado numa nuvem, não esperes pelos extraterrestres, não esperes satisfazer os teus desejos com nenhuma lâmpada de aladino, entra na clandestinidade. quem tem um cão chamado milú, tu? quem tem um marsupilami, quem tem um cavalo chamado silver e um índio chamado tonto?"
