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pirilampos

De novo a ver telejornais durante a meia hora de almoço. Diante de uma TV muda, desejo uma vida longa ao dono do restaurante.
Curta é a capacidade de fixar a atenção nas imagens. Em vez disso, os olhos cravam-se na tira rotativa das notícias de rodapé. Aconteceu o mesmo no concerto recente dos Massive Attack. Desiludido com aquela estopada, estive mais atento às estatísticas em bruto que iam passando por trás da banda num monitor à largura do palco.

Apesar deste comportamento de insecto perante um lampião, torna-se difícil não reparar que a maior parte da informação das tiras de rodapé é quase sempre irrelevante: percentagens disto e daquilo conseguidas sabe-se lá onde, contradizendo por vezes as do dia anterior; sucessão interminável de números e factos que perdem sentido ao serem apresentados de um modo massivo e demasiado aleatório. Diante disso, seria menos doloroso olhar para écrans mudos se no rodapé corressem de vez em quando pedaços de letras, poemas, citações de livros, nem que fossem de Rodrigues dos Santos ou de Sousa Tavares. A sério. Qual director de programas, estou por tudo só para melhorar a meia hora de almoço.


A slumber did my spirit seal. I had no human fears. She seemed a thing that could not feel the touch of earthly years. No motion has she now, no force. She neither hears nor sees, rolled round in earth’s diurnal course, with rocks, and stones, and trees. «A slumber did my spirit seal», William Wordsworth >-< Weary inside, now our heart's lost forever (...) each ritual showed up the door for our wanderings, open then shut, then slammed in our face. Where have they been? «Decades», Ian Curtis