eu até... mas... (2)
And now, algo oriundo dum território político completamente diferente.
Através do blog Arrastão, apercebi-me da existência de um novo blog assumidamente dedicado à política: Gattopardo de seu nome, assinado por dois dos mais antigos e conhecidos bloggers portugueses.
Do lado de cá, alguma curiosidade em saber mais concretamente em que consiste, no presente, a visão do Mundo de dois «conservadores com uma costela liberal», como se autodenominaram um dia. (1)
Na blogosfera 6 anos podem representar uma eternidade. Nos prováveis 70-80 anos da vida de uma pessoa podem significar muito pouco. Contudo, desde 2002-2003, algo mudou sem ter ficado na mesma: não só o Mundo político, mas o sítio de onde aqueles dois amigos de longa data o observavam. Então, apesar de já terem conquistado por mérito próprio o direito de publicar algumas das suas opiniões, ainda se comportavam como outsiders relativamente ao regime/aparelho mediático onde a maior parte dos jornalistas e intelectuais eram (seriam?) de esquerda.
Hoje mais do que nunca, por entre chefias das redacções quase todas escolhidas de acordo com a confiança política e a sua capacidade de gerir os recibos verdes dos estagiários, com grande parte das fontes de informação controladas por assessores governamentais, e na ausência quase total de colunistas realmente de esquerda, talvez não seja exagerado afirmar que os dois «conservadores com uma costela liberal» só não fazem parte do aparelho mediático «neoliberal com moral conservadora» porque continuam a cultivar a independência de opinião. Ainda assim, muito mais do que há 6 anos, o facto é que detêm um maior acesso a tornar públicas as suas ideias. Até que ponto é que isso poderá condicionar o seu discurso e a intensidade na defesa dos valores em que realmente acreditam só a passagem do tempo deixará revelar.
Seja como for, reparando no objecto dos posts iniciais – a revisão da Constituição – registe-se a coerência com o que defendiam n’ A Coluna Infame. Daí ser natural que, deste lado, advenha alguma curiosidade em saber se mantêm igualmente a coerência, por exemplo, relativamente a alguns destes pontos de vista manifestados em 2003:
Durão disse que Portugal apoiará um ataque americano ao Iraque, mesmo que sem apoio das Nações Unidas. É uma decisão: 1) moralmente correcta 2) constitucionalmente legítima 3) politicamente clara 4) estrategicamente leal. Num momento destes não precisamos de políticos sinuosos, mas de posições firmes. Durão sabe de que lado está. Nós também. (3)
Bush não é, como está à vista de quem quiser ver, pateta nem diabólico. Os EUA foram e são os defensores dos valores em que acreditamos, e para isso pouco importa o Q.I. do seu presidente. Claro que a esquerda - para quem o 11 de Setembro não significou nada - é alheia ao sentimento de revolta que nos leva a considerar ser absolutamente necessário garantir que os inimigos das nossas sociedades livres e democráticas não terão a impunidade que pacifistas, terroristas e idiotas úteis lhes querem atribuir. É por isso que somos do «partido da guerra», como nos chamam. Porque a violência só conhece a linguagem da violência. (4)
Sempre foi claro que não vamos no «angelismo» americano (nós não somos americanos, vejam se entendem...), mas ainda menos embarcamos nas tretas dos defensores da «paz», do «Direito Internacional» e coisas assim. (5)
Parte da curiosidade – Bush/Iraque - há muito que deixou de o ser (6). Sobre conceitos como o pacifismo, a guerra e o Direito Internacional subsistem muitas dúvidas. Algumas mais? Se ainda defendem o fim do que resta do Estado-Providência europeu; se vão demarcar-se ainda mais do liberalismo económico hoje predominante; se pretendem ser apenas críticos/produtores de opiniões e vão limitar-se a convidar os seus opositores a ler Oakeshott e Tocqueville ou se, porventura, vão ser capazes de ter um discurso próprio, apresentando alternativas singulares ao presente político em que não se reconhecem.
Expectativas demasiado altas? Não creio. Demasiada atenção a quem defende quase exactamente o oposto daquilo em que acredito? Talvez, mas nunca foi suficiente conhecer apenas o meu lado.