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O meu oitavo filho é o meu martírio, e na verdade não sei porque razão. Olha-me como se visse um estranho, e no entanto sinto-me estreitamente ligado a ele como pai. O tempo melhorou as coisas. Antigamente, acontecia-me tremer só de pensar nele. Segue o seu próprio caminho, cortou todos os laços que nos uniam e, com aquela cabeça dura, com aquele corpo pequeno e atlético – em rapaz, só as pernas eram um tanto fracas, mas com o passar do tempo já terão encontrado uma certa harmonia – conseguirá certamente chegar onde quiser. Muitas vezes tinha vontade de o chamar para lhe perguntar como vão as coisas, porque se afasta assim do pai, e afinal o que quer ele da vida, mas agora ele está tão longe e já passou tanto tempo que o melhor será que tudo fique como está. Ouvi dizer que ele é o único dos meus filhos que usa barba; num homem tão pequeno é coisa que seguramente não ficará bem.
Franz Kafka, "Onze Filhos", (8/11)
Comments
Este era o Barba Ruiva? ;)
Posted by: maria árvore | setembro 5, 2007 10:50 AM