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O meu décimo filho passa por ser um carácter falso. Não quero negar completamente nem confirmar completamente este defeito. Certo é que quem o vê chegar com aquela cerimónia tão exagerada para a sua idade, sempre de sobrecasaca toda abotoada, com o chapéu preto já velho mas escovado com zelo excessivo, com o rosto imóvel, com o queixo um tanto proeminente, as pálpebras que se arqueiam pesadas sobre os olhos, os dois dedos que por vezes leva à boca – quem assim o vê pensa: eis aqui um perfeito hipócrita. Mas oiçam só como ele fala! Sensato, ponderado, conciso; invertendo o curso das perguntas com uma vivacidade maliciosa; numa harmonia surpreendente, natural e alegre com todo o universo; uma harmonia que faz erguer o pescoço e endireitar a cabeça por necessidade. Muitos que se julgam espertos e que por esta razão, pensam eles, se sentem repelidos pela sua aparência, foram atraídos pela força das suas palavras. Também há sempre aqueles que permanecem indiferentes ao seu aspecto, mas a quem as suas palavras parecem hipócritas. Eu, como pai, não quero aqui decidir, mas devo confessar que o último juízo merece maior consideração do que o primeiro.
Franz Kafka, "Onze Filhos", (10/11)
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De pé como as palmeiras?...
Posted by: maria árvore | setembro 5, 2007 11:08 AM