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O meu décimo primeiro filho é delicado, porventura o mais frágil entre os meus filhos; mas é enganador na sua fraqueza; na verdade, de tempos a tempos consegue ser forte e determinado, mas mesmo então a fraqueza é de algum modo o seu fundamento. Estar sempre pronto para voar, por exemplo, não será também fraqueza, já que esta vontade é afinal uma hesitação, uma indefinição, um andar ao sabor do vento? O meu filho mostra qualquer coisa assim. É claro que estas qualidades não agradam ao pai; conduzirão sem dúvida à destruição da família. Por vezes olha para mim como se quisesse dizer: «Vou levar-te comigo, pai». Penso então: «Serias o último a quem me confiaria». E o seu olhar parece dizer de novo: «Possa então ser eu o último».
Franz Kafka, " Elf Söhne", tradução de Isabel Castro Silva, (11/11)
Comments
Os teus heterónimos são mais enigmáticos que os do Pessoa: primeiro estranham-se, depois entranham-se. :)
Posted by: maria árvore | setembro 5, 2007 11:11 AM
seguiste o link no final para ver ao que Kafka se referia quando descreve os seus onze filhos?
Posted by: josé quintas | setembro 6, 2007 01:51 PM
Sim :) e por aí também tens pelo menos 11 filhos porque desconheço quantas folhas enchestes. :) Só que a minha cabeça imbicou que cada filho corresponde a uma parte de ti... ;)
Posted by: maria árvore | setembro 6, 2007 03:12 PM
E eu que pensava que o Frank Zappa só tocava viola. Teve onze filhos???
Posted by: Paulo Vinhal | setembro 9, 2007 02:44 PM