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comunicação social

- ‘Tou? Mãe? Como nunca mais ligavas...
- Não estava com muita vontade de te ver alegre... hoje.
- Caramba. Tu não perdeste nada e eu muito menos ganhei. Se alguém perdeu foram os donos daquele talho de que te falei. Bom, talvez a padralhada em que acreditas também tenha ganho alguma coisa...
- ?!
- ... a noção de que não têm tanto poder como eu pensava.
- E lá vens tu... como que correu a tua semana?
- Foi normal.
- A [Eunice] ainda gosta de ti?
- Demasiado.
- Não entendo. Sempre me pareceu inteligente... Os teus colegas gostam de ti?
- A maioria? Demasiado.
- E os teus vizinhos?
- Demasiado.
- Convencido... Tu não és assim.
- A sério. Gostava que me deixassem mais só. Preciso de mais tempo para mim.
- Juízo é o que tu precisas... raio de mania de andar ao contrário dos outros.
- Mãe, caramba. É verdade. O que me chateia nesta gente - enfim, a maior parte - é que não estão minimamente interessados no que alguém possa dizer. Lamentam-se por tudo e por nada, mas não dão um passo para melhorar seja o que for.
- E se...
- Querem é um par de ouvidos para despejar o que mais ninguém quer ouvir. Aqui ainda é pior do que aí. Já quase ninguém ouve ninguém.
- Eu estou a ouvir-te...
- A única maneira de conseguir alguma atenção é dizer o que não estão à espera... enfim, disparates para se rirem um bocadinho, para interromper conversas que não levam a lado nenhum. Começo a ficar cansado.
- Posso falar?
[...]