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Ao telefone com alguém tão teimoso quanto eu, e a quem, num momento mais conturbado da adolescência, acusei de não me ter perguntado se queria nascer. Ela disse-me que estava de saída para uma reunião de activistas do «Não» no salão paroquial. Imaginei logo dúzias de velhotinhas, e catequistas, e escuteiros, conspirando numa sala à meia-luz, sussurrando planos de raides contra clínicas de pecadores e sedes do PCP. Falei-lhe de saudades de Estaline e do tempo em que os comunas matavam os velhinhos com injecções atrás da orelha. Ela riu-se e disse-me para ter juizinho. Chamou-me palhaço. Eu perguntei-lhe se se notava assim tanto e mudei de estratégia. Servi-me de parábolas como a de cima. Ela marimbou-se completamente. Acabou por dizer que aquela não constava da Bíblia.