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Li isto e (não sei bem porquê... logo hoje:) pensei em ti

Aclamada como «Deusa da Líbido» e «Monstar Mae», odiada pela América puritana, Mae West foi acima de tudo uma Mulher [...] a sua autobiografia “Goodness has nothing to do with it» é um divertido manifesto que defende o direito ao prazer e à singularidade [...]


- Nasci em 17.8.1893 [...] numa wasp family mas o meu pai foi sempre muito indulgente comigo [...] costumava dizer à minha mãe «deixa-a andar, ela é diferente» [...] Aos 5 anos fazia imitações em festas de igreja [..] aos 7, escola de dança [...] aos 12, fiz tournées de vaudeville [...] era conhecida como Baby Vamp [...] iniciei aquela dança marota - o shimmy [...] o público adorava ver uma garota traquina a rebolar o traseiro [...] Casei às escondidas com 17 anos. Um disparate pegado que haveria de dar-me muitas dores de cabeça [...] pouco depois, comecei a escrever peças de teatro sob o pseudónimo Jane Mast [...]


- Sentia-me compelida a escrever sobre sexo [...] detestava a forma doentia como o sexo era visto nesse tempo; sobretudo o papel sexual da mulher, que era nulo [...] A primeira peça estreou na Broadway e chamava-se “Sex”. O público adorou, os críticos quase me insultaram [...] a Liga Católica dos Irlandeses americanos mexeu os pauzinhos junto das autoridades e, logo após as primeiras representações, o teatro foi invadido pela polícia e encerrado sob a acusação de atentado à moral. Estávamos em 1927. Fui condenada a 10 dias de prisão. Cumpri 8. Lá dentro exigi as minhas cuequinhas de seda porque as da prisão arranhavam [...] instruí as outras prisioneiras – prostitutas, a maior parte – a usar preservativos [...]


- Sempre apreciei a companhia de homens másculos, mas gentis [...] nunca quis uma relação amorosa que implicasse sujeição; bem vi o que isso fez a colegas minhas [...] a intenção foi sempre ter o controlo completo da minha carreira [...] Quando «The Drag» estreou em 1926, um crítico idiota acusou-me de ser uma male impersonator [...] é positivo colocarmo-nos na pele dos outros [...] gosto de frases com sentidos múltiplos [...]


- A partir da década de 40 passei a ter menos trabalho [...] os gostos do público mudaram. Continuei a fazer algum teatro, fui tola ao ponto de recusar o papel que veio ser o de Gloria Swanson em «Sunset Boulevard», cantei «Baby, It’s Cold Outside» na cerimónia dos Óscares de 1958, fiz espectáculos com bodybuilders, tive algum sucesso com dois albúns de rock’n’roll no final da década de 60, até que regressei a Hollywood em 1970 com o filme «Myra Brekenridge». Em 1978, com 85 anos, entrei no filme «Sextette». Nesses últimos anos, frequentei muitas festas [...] parece que ficava bem convidarem-me para festas [...] aquela gente gostava dos meus dichotes. O meu preferido era este: «I wrote the story myself. It's about a girl who lost her reputation and never missed it». Fui-me desta para pior em 1980.

(adaptação de uma entrevista construída por Ondina Pires, publicada na revista «Umbigo», de Junho de 2006, com alguns acréscimos recolhidos aleatoriamente em sítios surgidos nas páginas iniciais de uma pesquisa no Google por “Mae West no sin no guilt some regrets”)